
Da discectomia lombar às descompressões, revisões e fusões endoscópicas, a evolução da técnica exige domínio anatômico, planejamento dos acessos e formação progressiva.
A cirurgia endoscópica da coluna passou por uma transformação significativa no Brasil. Inicialmente associada a indicações mais específicas, especialmente às hérnias discais lombares, a técnica passou a ocupar um espaço relevante no tratamento de estenoses, doenças degenerativas, hérnias migradas, casos revisionais, doenças do nível adjacente e outras condições nas quais uma abordagem menos invasiva pode representar uma diferença importante para o paciente.
Essa evolução foi construída a partir do contato dos cirurgiões brasileiros com diferentes escolas internacionais, da experiência acumulada em centros de referência, da incorporação progressiva de instrumentais e da formação de novos profissionais.
Hoje, a cirurgia endoscópica da coluna já não pode ser vista apenas como uma técnica alternativa. Em diferentes cenários, ela passou a integrar o raciocínio cirúrgico moderno e a ampliar as possibilidades de tratamento disponíveis para ortopedistas, neurocirurgiões e cirurgiões de coluna.
A evolução da cirurgia endoscópica da coluna no Brasil
A trajetória da endoscopia de coluna no Brasil recebeu influência de diferentes escolas internacionais.
A escola coreana teve papel importante na difusão do acesso transforaminal e no desenvolvimento da anatomia endoscópica aplicada à cirurgia minimamente invasiva. A possibilidade de visualizar raízes nervosas, disco, estruturas ósseas e tecidos moles sob uma perspectiva ampliada modificou a maneira como muitos cirurgiões passaram a compreender a anatomia da coluna.
A escola alemã também contribuiu para essa evolução, especialmente no aprimoramento dos acessos interlaminares, no desenvolvimento dos equipamentos e na padronização das técnicas.
A integração dessas influências colaborou para a formação de cirurgiões capazes de trabalhar com diferentes estratégias. A cirurgia endoscópica da coluna não representa uma única via de acesso, mas um conjunto de técnicas que podem ser selecionadas de acordo com a anatomia, a patologia e os objetivos do tratamento.
Como as indicações da endoscopia de coluna se ampliaram?
No início de sua aplicação, a endoscopia era frequentemente associada ao tratamento de hérnias discais lombares em pacientes selecionados.
Com a evolução do conhecimento anatômico, dos instrumentais, das óticas e das técnicas de descompressão, suas indicações foram ampliadas. Atualmente, a cirurgia endoscópica pode ser considerada em situações como:
- Hérnias discais lombares;
- Hérnias migradas;
- Estenoses centrais, laterais e foraminais;
- Compressões do recesso lateral;
- Doença do nível adjacente;
- Casos revisionais;
- Descompressões cervicais posteriores;
- Fusões endoscópicas;
- Doenças degenerativas selecionadas;
- Alguns tumores e condições mais complexas.
A ampliação das indicações não significa que a endoscopia seja adequada para todos os casos. A principal mudança está no aumento do repertório do cirurgião.
Ao avaliar uma estenose localizada, uma hérnia de difícil acesso ou uma doença degenerativa sem instabilidade importante, o cirurgião precisa considerar se uma abordagem endoscópica pode oferecer uma rota tecnicamente adequada, com menor agressão aos tecidos e preservação das estruturas anatômicas.
Endoscopia uniportal e biportal: quais são as diferenças?
A discussão entre as técnicas uniportal e biportal não deve ser reduzida à escolha de uma abordagem considerada superior.
As duas técnicas possuem características, possibilidades e limitações próprias. O objetivo é compreender quando cada uma pode oferecer a melhor solução para o caso clínico.
Técnica uniportal
Na endoscopia uniportal, a ótica e os instrumentais trabalham pelo mesmo portal. A técnica permite acessos específicos e direcionados, como:
- Transforaminal;
- Interlaminar;
- Extraforaminal;
- Extremo lateral;
- Posterior cervical.
Em diferentes situações, a abordagem uniportal permite alcançar diretamente a área da compressão, com menor agressão muscular e excelente visualização das estruturas.
Técnica biportal
Na endoscopia biportal, também conhecida como UBE, são utilizados dois portais independentes. Um deles é destinado à visualização, enquanto o outro permite a introdução dos instrumentais.
Essa separação pode proporcionar:
- Maior liberdade de instrumentação;
- Coordenação bimanual;
- Melhor triangulação;
- Campo visual ampliado;
- Utilização de instrumentais semelhantes aos empregados na cirurgia aberta ou microscópica;
- Facilidade para determinadas descompressões e procedimentos de fusão.
A técnica biportal pode ser especialmente útil em estenoses, descompressões mais amplas, tratamentos do recesso lateral e do forame, além de procedimentos que exigem maior mobilidade durante a cirurgia.
Por que o cirurgião deve compreender as duas abordagens?
Na cirurgia endoscópica da coluna, o cirurgião contemporâneo precisa conhecer as possibilidades oferecidas pelas técnicas uniportal e biportal.
Em alguns casos, a abordagem uniportal permite uma trajetória mais direta e específica. Em outros, o método biportal oferece melhor ângulo, liberdade de instrumentação e conforto técnico.
Saber apenas uma técnica pode limitar o planejamento. O domínio de diferentes abordagens permite que a decisão seja orientada pelo caso clínico, e não apenas pela preferência do cirurgião.
Essa integração modifica a lógica da escolha cirúrgica. Em vez de partir da técnica para o caso, o especialista analisa o caso e, a partir dele, seleciona a técnica mais adequada.
O papel do planejamento na escolha do acesso endoscópico
A cirurgia endoscópica da coluna exige que o cirurgião aprenda a pensar de forma tridimensional e a planejar a rota até a patologia.
A avaliação dos exames de imagem não deve servir apenas para confirmar o diagnóstico. Ela precisa responder perguntas importantes:
- Onde está localizada a compressão?
- Qual raiz nervosa está envolvida?
- Qual é o trajeto mais direto até a lesão?
- Existe alguma estrutura que possa limitar o acesso?
- Quanto osso precisará ser removido?
- Qual abordagem preserva melhor a anatomia?
- Existe instabilidade?
- O acesso escolhido oferece segurança para a raiz emergente?
- A técnica uniportal ou biportal proporciona melhor visualização?
- Há necessidade de descompressão isolada ou fusão?
A topografia da lesão, o nível vertebral, a altura da crista ilíaca, a anatomia do forame, a extensão da estenose e as condições clínicas do paciente influenciam diretamente essa escolha.
Formação inicial em endoscopia uniportal lombar
A discectomia lombar costuma representar uma das principais portas de entrada para a formação em cirurgia endoscópica da coluna.
O cirurgião precisa compreender os acessos transforaminal e interlaminar, desenvolver orientação espacial, aprender a controlar a irrigação e reconhecer as estruturas neurais sob a visão endoscópica.
Nesse estágio, o treinamento deve contemplar:
- Anatomia lombar aplicada;
- Ergonomia endoscópica;
- Posicionamento do paciente;
- Planejamento da trajetória;
- Navegação endoscópica;
- Triangulação dos instrumentais;
- Controle do campo e da irrigação;
- Discectomia transforaminal;
- Discectomia interlaminar;
- Descompressão posterior básica;
- Preservação das estruturas neurais;
- Segurança do forame.
Para cirurgiões que desejam iniciar ou aperfeiçoar essa etapa, a Scientific Research & CO realizará o Curso Intensivo em Endoscopia Uniportal Lombar: Discectomia, nos dias 28 e 29 de setembro de 2026, no Quirontec, em São Paulo.
O curso combina conteúdo online preparatório e prática intensiva em Cadaver Lab, com treinamento dos acessos transforaminal e interlaminar.
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Endoscopia biportal e os acessos posterior e paraespinal
A endoscopia biportal lombar exige uma adaptação específica do cirurgião. A ótica e os instrumentais trabalham por portais diferentes, o que amplia a liberdade de movimentos, mas também exige coordenação bimanual e compreensão clara da triangulação.
O planejamento adequado dos portais influencia diretamente a fluidez do procedimento, o campo visual e a capacidade de alcançar a região de interesse.
Entre as competências necessárias estão:
- Planejamento e posicionamento dos portais;
- Orientação anatômica no campo biportal;
- Coordenação bimanual;
- Manutenção do campo visual;
- Controle do sangramento epidural;
- Descompressão do canal central;
- Proteção das estruturas neurais;
- Abordagem paraespinal lombar;
- Tratamento do recesso lateral;
- Tratamento do forame;
- Navegação em anatomias desafiadoras;
- Preservação da estabilidade segmentar.
A Scientific Research & CO realizará o Curso Intensivo em Endoscopia Biportal Lombar: Acessos Posterior e Paraespinal, nos dias 3 e 4 de dezembro de 2026, no Quirontec, em São Paulo.
A formação inclui conteúdo online preparatório e dois dias de treinamento prático em Cadaver Lab.
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Endoscopia na doença do nível adjacente
Uma das aplicações relevantes da cirurgia endoscópica está no tratamento de pacientes com doença do nível adjacente após uma artrodese lombar.
Alguns pacientes apresentam sintomas predominantemente neurológicos, como claudicação neurogênica, dor irradiada e compressão do canal, sem instabilidade importante nas radiografias dinâmicas.
Nessas situações, uma descompressão endoscópica bem planejada pode representar uma alternativa à ampliação de uma artrodese longa.
A decisão precisa ser criteriosa e considerar:
- Radiografias dinâmicas;
- Ressonância magnética;
- Tomografia;
- Alinhamento da coluna;
- Presença de instabilidade;
- Qualidade óssea;
- Extensão da estenose;
- Sintomas predominantes;
- Cirurgias anteriores;
- Comorbidades;
- Expectativa funcional do paciente.
Quando o problema é predominantemente compressivo, a descompressão isolada pode ser considerada. Quando existe instabilidade importante, deformidade, falha estrutural ou outro componente mecânico relevante, pode ser necessário adotar uma estratégia diferente.
Preservação das facetas e das partes moles
A preservação das facetas articulares e das partes moles está entre os potenciais benefícios da abordagem endoscópica.
Nas descompressões de estenoses, especialmente em pacientes previamente operados, a técnica permite atuar de maneira direcionada, reduzindo a necessidade de dissecação ampla.
Essa preservação pode ser especialmente relevante em pacientes idosos, osteoporóticos ou com menor reserva funcional.
Entretanto, uma cirurgia menos invasiva não é automaticamente uma cirurgia mais simples. A redução do acesso aumenta a importância da orientação anatômica, do controle visual e da precisão dos movimentos.
Descompressão de estenoses centrais, laterais e foraminais
O tratamento endoscópico das estenoses exige que o cirurgião identifique corretamente o padrão de compressão.
A estenose pode envolver:
- Canal central;
- Recesso lateral;
- Forame;
- Regiões combinadas;
- Estruturas ósseas;
- Ligamentos;
- Partes moles;
- Segmentos previamente operados.
A estratégia cirúrgica depende da localização, da extensão e do mecanismo da compressão.
Procedimentos como ULBD, foraminoplastia, foraminotomia e ampliação óssea controlada devem ser realizados com atenção à suficiência da descompressão e à preservação da estabilidade segmentar.
O objetivo não é remover a maior quantidade possível de tecido, mas liberar adequadamente as estruturas neurais sem produzir instabilidade desnecessária.
A Scientific Research & CO realizará o Curso Intensivo em Endoscopia para Estenose Central e Foraminal, nos dias 27 e 28 de janeiro de 2027, no Quirontec, em São Paulo.
O treinamento contempla descompressão central e lateral, tratamento do recesso lateral, ULBD avançada, foraminoplastia, foraminotomia, proteção neural e comparação entre abordagens.
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Hérnias migradas e escolha da melhor trajetória
As hérnias migradas, especialmente aquelas com migração cranial, podem representar um desafio técnico.
Quando o fragmento está localizado atrás da lâmina, próximo ao pedículo ou em uma região de difícil alcance, a escolha do acesso interfere diretamente na complexidade do procedimento.
Uma abordagem interlaminar pode exigir maior ressecção óssea, dependendo da posição do fragmento e da anatomia do paciente. Em determinados casos, um acesso transforaminal, extraforaminal ou extremo lateral pode proporcionar uma trajetória mais direta.
A decisão precisa considerar:
- Direção da migração;
- Relação com o pedículo;
- Localização do fragmento;
- Nível acometido;
- Altura da crista ilíaca;
- Dimensões do forame;
- Relação com a raiz emergente;
- Presença de estenose associada;
- Cirurgias anteriores;
- Condições clínicas do paciente.
Não existe um acesso padronizado para todas as hérnias migradas. O planejamento precisa ser individualizado.
Quando a descompressão isolada não é suficiente?
A cirurgia endoscópica não elimina a necessidade de fusão ou de outras técnicas de estabilização.
Em pacientes com instabilidade, deformidade, falha estrutural, colapso discal significativo ou outras alterações mecânicas, a descompressão isolada pode não tratar todos os componentes da doença.
Nessas situações, podem ser consideradas técnicas de fusão endoscópica, incluindo abordagens biportais para acesso discal, preparação das placas terminais, inserção de cage e associação com fixação percutânea.
A indicação deve considerar a relação entre:
- Compressão neural;
- Instabilidade;
- Dor mecânica;
- Deformidade;
- Qualidade óssea;
- Alinhamento;
- Cirurgias anteriores;
- Risco cirúrgico;
- Benefício esperado.
O objetivo não deve ser substituir todas as fusões por procedimentos endoscópicos, mas compreender quando uma estratégia minimamente invasiva pode ser utilizada com segurança e previsibilidade.
Endoscopia cervical e fusão endoscópica UBE
A progressão para procedimentos cervicais e fusões endoscópicas exige maior maturidade técnica.
Na coluna cervical, o espaço de trabalho é reduzido e as estruturas neurais estão próximas. O cirurgião precisa dominar anatomia posterior, proteção neural, navegação em canal estreito e critérios de descompressão.
Entre as técnicas avançadas estão:
- Foraminotomia cervical endoscópica;
- ULBD cervical;
- Descompressão cervical posterior;
- Navegação em canal estreito;
- Acesso discal;
- Preparo das placas terminais;
- Inserção de cage;
- Fixação percutânea;
- Revisões endoscópicas;
- Manejo de complicações.
A Scientific Research & CO realizará o Curso Intensivo em Endoscopia Cervical Uniportal e Fusão Endoscópica UBE, de 9 a 11 de março de 2027, no Quirontec, em São Paulo.
A formação inclui conteúdo online preparatório e três dias de treinamento prático em Cadaver Lab, com foco em endoscopia cervical posterior e fusão endoscópica pelo método biportal.
Conheça o Curso de Endoscopia Cervical e Fusão Endoscópica UBE
A curva de aprendizado na cirurgia endoscópica da coluna
A curva de aprendizado existe para todos os profissionais, inclusive para cirurgiões experientes em cirurgia aberta, microscópica ou tubular.
O domínio prévio da anatomia e da cirurgia de coluna pode facilitar o processo, mas não elimina a necessidade de adaptação.
A endoscopia exige competências específicas:
- Coordenação entre visão e instrumentação;
- Orientação espacial em campo ampliado;
- Familiaridade com óticas e câmeras;
- Controle de sangramento sob irrigação;
- Manejo da pressão;
- Planejamento dos portais;
- Reconhecimento anatômico sob outra perspectiva;
- Ergonomia;
- Capacidade de mudar a estratégia durante o procedimento;
- Manejo de intercorrências.
A progressão deve começar pelos fundamentos e pelos casos adequados à experiência do cirurgião. Procedimentos cervicais, torácicos, revisionais e fusões devem ser incorporados somente depois da consolidação das bases.
Formação progressiva em cirurgia endoscópica da coluna
Um curso intensivo pode oferecer contato inicial com uma técnica, aprofundar uma competência específica ou ajudar um cirurgião experiente a incorporar uma nova abordagem.
Entretanto, a construção de uma atuação ampla em cirurgia endoscópica da coluna exige uma formação mais longa e estruturada.
Esse processo deve integrar:
- Fundamentos da endoscopia;
- Anatomia aplicada;
- Ergonomia;
- Instrumentais;
- Planejamento dos acessos;
- Técnicas uniportais;
- Técnicas biportais;
- Discectomias;
- Descompressões;
- Estenoses;
- Fusões endoscópicas;
- Cervical posterior;
- Revisões;
- Prevenção e manejo de complicações;
- Discussão de casos;
- Treinamento supervisionado.
Uma formação continuada também permite que o aluno acompanhe diferentes professores, conheça variações técnicas e desenvolva o raciocínio necessário para escolher a estratégia mais adequada.
O papel do Cadaver Lab na formação do cirurgião
O treinamento em cadáver fresh frozen tem papel importante na formação em cirurgia endoscópica da coluna, permitindo que o cirurgião pratique acessos, reconheça estruturas anatômicas e desenvolva orientação espacial em condições próximas da realidade cirúrgica.
No Cadaver Lab, é possível treinar:
- Posicionamento;
- Planejamento da trajetória;
- Criação dos portais;
- Acessos transforaminal e interlaminar;
- Abordagens posterior e paraespinal;
- Descompressões;
- Foraminoplastia;
- Foraminotomia;
- Manipulação dos instrumentais;
- Proteção neural;
- Preparo do espaço discal;
- Inserção de cage;
- Estratégias de revisão.
O objetivo não é apenas repetir movimentos, mas compreender a anatomia, testar diferentes rotas e desenvolver critérios para a tomada de decisão.
A associação entre conteúdo online, simulação, Dry Lab, Cadaver Lab e discussão clínica permite que o aluno chegue à prática mais preparado e aproveite melhor o treinamento presencial.
Pós-Graduação em Cirurgia Endoscópica Uni e Biportal
Para cirurgiões que buscam uma formação completa, a Scientific Research & CO oferece a Pós-Graduação em Cirurgia Endoscópica Uni e Biportal da Coluna Vertebral.
A pós-graduação foi estruturada para ortopedistas, neurocirurgiões e médicos em formação na área de coluna. O programa combina:
- Teoria online;
- Aulas gravadas;
- Webinars internacionais;
- Discussões de casos;
- Quatro encontros presenciais;
- Nove dias de prática;
- Cadaver Lab Fresh Frozen;
- Dry Lab;
- Simulação avançada;
- Estações independentes para técnicas uniportal e biportal;
- Desenvolvimento de trabalho de conclusão de curso.
A trilha percorre fundamentos, acessos lombares, discectomia, estenoses, descompressões, fusões endoscópicas, cervical posterior, revisões e manejo de complicações.
Conheça a Pós-Graduação em Cirurgia Endoscópica Uni e Biportal
Ensinar endoscopia é ensinar tomada de decisão
Ensinar cirurgia endoscópica não significa apenas demonstrar uma técnica.
A formação precisa preparar o cirurgião para tomar decisões sobre:
- Indicações;
- Contraindicações;
- Seleção dos casos iniciais;
- Escolha do acesso;
- Limites da ressecção;
- Critérios de descompressão;
- Necessidade de fusão;
- Preservação da estabilidade;
- Manejo de complicações;
- Conversão de estratégia;
- Progressão da curva de aprendizado.
O professor precisa transmitir o gesto técnico e o raciocínio que sustenta cada escolha.
O contato com diferentes especialistas também é importante. A cirurgia endoscópica não é uma técnica única e fechada. Cirurgiões experientes podem utilizar estratégias diferentes para solucionar situações semelhantes.
Conhecer essas perspectivas amplia o repertório do aluno e reduz a dependência de uma única abordagem.
O futuro da cirurgia endoscópica da coluna no Brasil
A cirurgia endoscópica da coluna alcançou um estágio de maior maturidade no país.
O debate já não está apenas em demonstrar que a técnica funciona. O próximo desafio é ampliar as indicações com responsabilidade, aperfeiçoar a formação, comparar estratégias, publicar resultados e consolidar padrões seguros de ensino.
Essa evolução também acompanha uma mudança no perfil dos pacientes. As pessoas vivem mais, mantêm uma rotina ativa por mais tempo e procuram tratamentos que reduzam morbidade e tempo de recuperação.
Ao mesmo tempo, muitos pacientes chegam ao consultório com cirurgias anteriores, artrodeses, osteoporose, comorbidades cardiovasculares e maior risco anestésico. Nesses cenários, abordagens menos invasivas podem assumir um papel relevante quando corretamente indicadas.
A endoscopia não elimina a necessidade da cirurgia aberta, da artrodese ou das correções de deformidades. O bom cirurgião não é aquele que utiliza endoscopia em todos os pacientes, mas aquele que reconhece quando ela representa a melhor ferramenta e quando outra estratégia é necessária.
Mais do que técnica, a endoscopia exige julgamento
A cirurgia endoscópica da coluna representa uma das principais frentes da cirurgia minimamente invasiva.
Sua evolução no Brasil demonstra que a inovação técnica depende de pioneirismo, intercâmbio internacional, desenvolvimento de equipamentos, formação responsável e prática contínua.
O futuro da endoscopia não está na defesa de uma única via. Está na formação de cirurgiões capazes de dominar diferentes ferramentas e aplicá-las com critério.
Saber quando escolher o acesso transforaminal, interlaminar, posterior, paraespinal, extremo lateral ou biportal exige maturidade. Decidir entre uma descompressão isolada, uma fusão endoscópica ou uma cirurgia convencional exige avaliação individualizada.
Mais do que aprender uma técnica, o desafio é desenvolver julgamento cirúrgico. Essa maturidade é construída por meio do estudo, da prática supervisionada, da discussão de casos e da capacidade de colocar o paciente no centro da decisão.
Assista à discussão completa no QuironCast
Este artigo foi desenvolvido a partir de uma discussão técnica realizada no QuironCast, com a participação de cirurgiões especialistas em cirurgia endoscópica uniportal e biportal da coluna.
Durante o episódio, os especialistas abordaram a evolução da endoscopia no Brasil, a influência das escolas internacionais, a integração entre técnicas, o planejamento dos acessos, a doença do nível adjacente, as hérnias migradas e a importância de uma formação médica estruturada.
Assista ao episódio completo no YouTube
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